Barreiras

Quando é conveniente, Zito terceiriza culpa

Quando é conveniente, Zito terceiriza culpa

Durante sabatina realizada na manhã desta terça-feira, 08, na rádio Jovem PAN, o ex-prefeito de Barreiras e candidato a deputado federal Zito Barbosa falou sobre a transformação do antigo Parque de Exposições em área de lazer e atribuiu a decisão ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público.

A declaração reforça uma postura contumaz de Zito, quando uma decisão gera desgaste, ele terceiriza a responsabilidade; quando existem resultados positivos, os méritos de seus antecessores parecem ser convenientemente esquecidos.

Quando em festa o Parque Natural foi inaugurado, Zito sequer mencionou o acordo com o Ministério Público. Agora, que a população percebeu que perdeu o parque de exposição e não ganhou uma área de lazer de fato, ele tenta culpar seus adversários.

No caso do Parque de Exposições, havia, sim, uma questão ambiental e um acordo com o Ministério Público. Mas isso não elimina a responsabilidade política de uma gestão que permaneceu oito anos à frente da Prefeitura. Havia tempo para enfrentar o problema do antigo lixão, cumprir as obrigações ambientais e, paralelamente, planejar e viabilizar um novo espaço para a ExpoAgro.

A mesma lógica deveria valer para os créditos positivos.

Zito não pode reivindicar para si aquilo que foi construído por outros e, ao mesmo tempo, atribuir a fatores externos aquilo que considera negativo.

Um exemplo é a drenagem dos bairros Morada da Lua e Loteamento São Paulo, cujo projeto e articulação dos recursos são atribuídos à atuação do ex-prefeito Antonio Henrique. Outro são os quase R$ 200 milhões dos precatórios do Fundef, cuja a iniciativa é luta são do ex-prefeito Saulo Pedrosa.

A história administrativa de Barreiras não começou em 2013. A cidade é resultado de sucessivas gestões, projetos, investimentos, articulações e conquistas.

Reconhecer o trabalho de quem veio antes não diminui nenhum gestor. Pelo contrário: demonstra respeito pela história da cidade e por quem ajudou a construir suas conquistas.

O que não parece razoável é adotar dois pesos e duas medidas: assumir os méritos quando é conveniente e terceirizar a responsabilidade quando uma decisão provoca questionamentos.

E o Parque de Exposições é justamente um desses casos.

Para muitos barreirenses, aquele espaço não era apenas um terreno. Era parte da memória afetiva da cidade. Ali aconteceram exposições, negócios, encontros, shows e momentos que marcaram gerações. A ExpoAgro fazia parte da identidade de Barreiras e da relação da cidade com sua vocação agropecuária.

Por isso, quando Zito afirma que havia pessoas que utilizavam o evento para ganhar dinheiro e reduz a ExpoAgro à condição de um “festival musical”, é natural que a declaração provoque questionamentos.

A ExpoAgro nunca foi apenas música. Os shows eram uma parte da programação. O evento também representava o campo, a produção rural, os animais, os negócios, o comércio e o encontro entre o produtor e a população.

Barreiras precisa olhar para sua história sem apagar quem ajudou a construí-la.

E, sobretudo, precisa de gestores dispostos a assumir tanto os méritos quanto as responsabilidades de suas próprias decisões.

Porque administrar uma cidade também é isso: não terceirizar a culpa quando é conveniente e não apagar os méritos de quem veio antes.